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Poemas

Casou-se um bonzo da China
Com uma mulher feiticeira
Nasceram três filhos gémeos
Um burro, um frade e uma freira

                                                    Bocage

 

 

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas 
e eu entardecia

 Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria.
Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia
Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia
e na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

                                                                                           Ary dos Santos

 

 

  

 

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor? 
  

 

                                                Luis de Camões

 

 

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

muda-se o ser, muda-se a confiança;

todo o mundo é composto de mudança,

tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,

diferentes em tudo da esperança;

do mal ficam as mágoas na lembrança,

e do bem – se algum houve – as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,

que já coberto foi de neve fria,

e em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,

outra mudança faz de mor espanto:

que não se muda já como soía.

                                                 Luis de Camões

 

 

          

 

        Eu quero amar, amar perdidamente !
       Amar só por amar: Aqui … além…

          Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente …
          Amar ! Amar! E não amar ninguém !

 

 

                                                                 Florbela Espanca

 

         

 

        Tenho por ti uma paixão
       Tão forte tão acrisolada,

          Que até adoro a saudade
          Quando por ti é causada

                                               Florbela Espanca

            

 

António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular…
António é António
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está tudo bem.
O que não faz sentido
É o sentido que isso tudo tem

                                 Fernando Pessoa

3 Responses to “Poemas”

  1. Peço desculpa pelas “letras malucas”.
    Bjos

  2. oi tens uns poemas mta fixes. adrt bué
    amigas 4ever and ever.
    jinhos j’aninhaá

  3. Fernando Pessoa ..


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